Perguntas mais frequentes sobre epilepsia |
- INFORMAÇÕES GERAIS -
O que significa epilepsia? A palavra epilepsia é derivada do
grego, no qual significa uma condição de tornar-se dominado,
apanhado ou atacado. O povo usava-a por acreditar que as crises
eram causadas por um demônio. Assim a epilepsia tornou-se uma
doença sagrada. Esta é a base para os mitos e medos que cercam
a epilepsia, e que influenciam as atitudes populares no sentido
de dificultar ainda mais o alcance de uma vida normal para os
portadores da mesma. A palavra epilepsia não significa mais do
que uma tendência para ter crises.
Epilepsia é uma condição neurológica que de tempo em tempo
produz breves distúrbios nas funções elétricas cerebrais
normais. A função cerebral normal é garantida por milhões de
pequenas cargas elétricas passando entre células nervosas no
cérebro e em todas as partes do corpo. Quando alguém tem
epilepsia, este padrão normal pode ser interrompido por surtos
intermitentes de energia elétrica muito mais intensa do que o
habitual. Isto pode afetar a consciência da pessoa e provocar
movimentos corporais ou sensações por curtos períodos de
tempo. Estas mudanças fisiológicas são chamadas de crises
epilépticas. Por isso a epilepsia é por vezes chamada de
desordem convulsiva. Os surtos não habituais de energia podem
ocorrer em apenas uma área do cérebro (crises parciais), ou
podem afetar células nervosas através de todo cérebro (crises
generalizadas). A função cerebral normal não pode retornar
até que o surto elétrico desapareça. Condições cerebrais que
produzem estes episódios podem estar presente desde o
nascimento, ou podem se desenvolver mais tarde devido a
traumatismos, infecções, anormalidades estruturais, exposição
a agentes tóxicos, ou por razões que ainda não são bem
entendidas. Algumas doenças ou traumatismos severos podem afetar
o cérebro ao ponto de produzir uma crise isolada. Quando as
crises continuam a ocorrer por razões desconhecidas ou por um
problema subjacente que não pode ser resolvido a condição é
denominada epilepsia. A epilepsia afeta pessoas de todas as
idades, todas nacionalidades e todas as raças. A epilepsia pode
também ocorrer em animais, incluindo cães, gatos, coelhos e
camundongos.
A epilepsia é uma doença? A epilepsia não é uma doença. Ela é um sinal ou
sintoma de uma desordem neurológica subjacente.
O que é uma crise? O cérebro é um órgão altamente complexo e sensitivo.
Ele regula e controla todas nossas ações. Ele controla
movimentos, sensações, pensamentos e emoções. Ele é o sítio
da memória e regula os mecanismos involuntários do corpo, tais
como os do coração e pulmões. As células cerebrais trabalham
em conjunto, comunicando-se por meio de sinais elétricos.
Ocasionalmente ocorre uma descarga elétrica anormal de um grupo
de células e o resultado é uma crise. O tipo de crise depende
da região do cérebro onde ocorre a descarga.
Qual a diferença entre crises e epilepsia ? Crises são sintoma de epilepsia.
Epilepsia é a tendência subjacente do cérebro para produzir
surtos súbitos de energia elétrica que desarranja outras
funções cerebrais. Ter uma crise isolada não significa
necessariamente que uma pessoa tem epilepsia. Febre alta,
traumatismo de crânio severo, falta de oxigênio - são fatores
que podem afetar o cérebro ao ponto de causar crise isolada. A
epilepsia, por outro lado, é uma condição subjacente (ou dano
cerebral permanente) que afeta o delicado sistema que governa a
distribuição da energia elétrica no cérebro, tornando-o
suscetível a crises recorrentes.
O que é uma "aura"? Antes do começo de uma crise algumas pessoas
experimentam uma sensação ou aviso chamado "aura". A
aura pode ocorrer com antecedência tal que possibilita à pessoa
tomar medidas preventivas quanto a possíveis lesões provocadas
pelas crises. O tipo de aura varia de pessoa para pessoa. Algumas
sentem uma mudança na temperatura corporal, outras têm uma
sensação de tensão ou ansiedade. Em alguns casos a aura
epiléptica pode manifestar-se como um som musical, um gosto
estranho ou um curioso e particular odor. Se a pessoa consegue
fazer uma boa descrição da sua aura isso pode ajudar o médico
a descobrir em que região do cérebro ocorre a descarga inicial.
Uma aura pode ocorrer sem ser seguida por uma crise e, em alguns
casos, ela mesma pode ser classificada como sendo um tipo de
"crise parcial simples".
Quando foi descoberta a epilepsia? A epilepsia é a desordem neurológica
mais antigamente conhecida. Ela é mencionada há mais de 2000
anos A.C.. Referências podem ser encontradas em antigos textos
gregos e na Bíblia. Contudo somente a partir do século XIX
passou a ser seriamente estudada. Sir Charles Locock foi o
primeiro a introduzir um sedativo que ajudava no controle das
crises, em 1857. Em 1870, John Hughlings Jackson identificou o
córtex cerebral como sendo a parte envolvida na epilepsia. Em
1929 Hans Berger demonstrou que os impulsos elétricos do
cérebro humano podiam ser registrados, estabelecendo as bases da
eletrencefalografia clínica.
E se tiver ocorrido apenas uma crise? Quando uma criança ou adulto nunca
teve uma crise antes, a primeira crise deve ser cuidadosamente
seguida por uma avaliação neurológica rigorosa que ajudará o
médico a decidir quando prescrever drogas para prevenção de
crises ou quando esperar eventual repetição da crise. O fator
mais importante na decisão de usar drogas é a probabilidade de
novas crises. Os médicos utilizam testes diagnósticos e
cuidadosa avaliação da própria crise para determinar o grau de
probabilidade para ocorrência de novas crises no futuro. Idade,
história familiar, e possíveis causas da crise são fatores
sempre considerados. Variáveis não propriamente médicas, tais
como perda da licença para dirigir veículos automotores e
problemas com o impacto sobre a profissão podem entrar na
decisão.
O que fazer quando suspeitar de uma desordem convulsiva? Se voce pensa que
tem ou que alguém que voce ama tem crises é importante discutir
com seu médico o que está acontecendo. Anote com que
frequência ocorrem os episódios não habituais, a hora do dia
em que acontecem e que forma assumem. Dando ao médico estas
informações voce estará ajudando muito para que ele possa
determinar se o que voce está vendo pode ser um tipo de
epilepsia.
- PESSOAS COM EPILEPSIA -
Que tipo de pessoa tem epilepsia? Virtualmente, sob
circunstâncias favoráveis qualquer um pode ter uma crise. Cada
um de nós tem um limiar cerebral convulsivo que nos torna mais
ou menos resistentes a crises. As crises podem ter várias
causas, incluindo traumatismo cerebral, doença cerebral,
envenenamento ou ictus cerebral. Esses fatores não são
exclusivos para qualquer faixa etária, sexo ou raça.
Quantas pessoas têm epilepsia? A epilepsia é bem mais comum do que muitos
imaginam. Estimativas atuais indicam que mais de 1% da
população teve ou terá alguma forma de epilepsia durante sua
vida.
A epilepsia é maior em alguma idade particular? A epilepsia pode atingir
qualquer um em qualquer idade. Contudo, a maior parte das pessoas
que desenvolvem crises durante seus primeiros anos de vida tendem
a apresentar uma redução na intensidade e frequência de suas
crises na medida em que envelhecem. Em alguns casos a epilepsia
pode desaparecer por completo. Metade dos casos desenvolve-se
antes dos 10 anos.
A epilepsia é mais frequente em alguma cultura? Sim. Na Tanzânia 4% da
população apresenta severas desordens convulsivas. Neste caso
uma predisposição genética para baixos limiares convulsivos é
conhecida. No Canadá 1-2% da população tem epilepsia.
- TIPOS DE CRISES -
Existem mais de um tipo de crises? As crises epilépticas ocorrem
com grande variedade e sua frequência e forma variam bastante de
pessoa para pessoa. Mesmo assim, com os modernos métodos de
tratamento a maioria dos casos podem ser completamente
controlados. Em virtude da existência de tantas nuances na
epilepsia e de tão diferentes tipos de crises um sistema
específico de classificação foi promovido pela Liga
Internacional Contra a Epilepsia (ILAE). A Classificação
Internacional de Crises Epilépticas foi adotada pela comunidade
médica e está gradualmente substituindo termos ultrapassados
como "grande mal" e "pequeno mal". A nova
classificação descreve dois grupos principais de crises:
"parciais" e "generalizadas". Ela divide cada
uma destas categorias em subcategorias, incluindo crises: parcial
simples, parcial complexa, ausência, tônico-clônica e outros
tipos.
Qual a diferença entre crises parciais e generalizadas? A distinção entre crises
parciais e crises generalizadas é o elemento mais importante da
nova classificação. Se a descarga elétrica excessiva no
cérebro está limitada a uma área, a crise é parcial. Se todo
o cérebro está envolvido, a crise é generalizada. Ao todo
existem mais de 30 diferentes tipos de crises. Como decorrência
disto, a nova classificação subdivide as epilepsias parciais e
generalizadas em diferentes categorias.
O que são crises parciais? Crises parciais (antes denominadas crises focais) com
sintomatologia elementar são chamadas de crises parciais
simples. Durante esse tipo de crise o paciente pode experimentar
uma gama de sensações estranhas ou não usuais, movimentos
bruscos de uma parte do corpo, distorsões auditivas ou visuais,
desconforto estomacal ou sensação de medo. A consciência não
sofre prejuízo. Se é seguida por outro tipo de crise pode ser
referida como "aura".
O que são crises parciais complexas? Crises parciais complexas (antes conhecidas
como epilepsia psicomotora ou do lobo temporal) são
caracterizadas por atos motores complicados envolvendo prejuízo
da consciência. Durante a crise o paciente parece entorpecido e
confuso. Podem ser observadas condutas como andar a êsmo,
resmungar, virar a cabeça, manipular a roupa. Usualmente esses
assim chamados automatismos não são recordados pelo paciente.
Na criança estas crises podem consistir em arregalar os olhos ou
estalar os lábios e assim podem ser confundidas com as crises de
ausência abaixo descritas.
O que são crises de ausência? Crises generalizadas de ausência (antigo pequeno
mal) são caracterizadas por lapsos de 5 a 15 segundos da
consciência. Durante esse tempo o paciente parece estar fixado
no espaço e os olhos podem rotar para cima. Ausências não são
precedidas por aura e a atividade anterior pode ser reassumida
imediatamente após a crise. Ocorrem tipicamente na criança e
desaparecem na adolescência. Elas podem, porém, evoluir para
outros tipos de crises, tais como parcial complexa ou
tônico-clônica. A ocorrência de ausências em adultos é rara.
O que são crises tônico-clônicas? Crise tônico-clônica (antigo grande mal) é
uma convulsão generalizada envolvendo duas fases. Na fase
tônica o indivíduo perde a consciência e cai, tornando-se o
corpo rígido. Na fase clônica os membros se repuxam e
estremecem. Após a crise a consciência é recobrada lentamente.
Se a crise tônico-clônica começa localmente (com uma crise
parcial) ela pode ser precedida por uma aura. Essas crises são
chamadas de secundariamente generalizadas. Embora as crises
tônico-clônicas sejam as mais visíveis - um tipo óbvio de
epilepsia - elas não são as mais comuns. As crises parciais
são mais frequentemente encontradas e ocorrem em 62% de todos
pacientes epilépticos. Crises parciais complexas compreendem
aproximadamente 30% de todos casos.
Quais são os outros tipos de crises? Epilepsia rolândica benigna é uma
síndrome epiléptica que ocorre em crianças jovens e é
limitada pela idade (desaparecem na adolescência).
Manifestações típicas são salivação e estremecimento da
boca ou de membro superior. As crises ocorrem quase que
exclusivamente à noite. Epilepsia mioclônica juvenil é uma
epilepsia caracterizada por início na infância ou adolescência
e está associada com repuxos de membros ou crises
tônico-clônicas generalizadas ocorrendo dentro de uma a duas
horas após o despertar. Crises que podem ser precipitadas por
privação de sono, ingestão de bebida alcoólica ou café
tendem a ocorrer pela manhã. Outros tipos incluem: atônica,
mioclônica, espasmo infantil, noturna, fotossensitiva, visual,
musicogênica, jacksoniana, sensorial, acinética, autonômica,
crises prolongadas e estado de mal.
O que é estado de mal? Estado de mal epiléptico é o termo usado para descrever
crises recorrentes sem recuperação da consciência entre elas.
É uma emergência médica pois pode ameaçar a vida ou causar
dano cerebral. Ação imediata deve ser desencadeada para acesso
a tratamento médico adequado.
O que são pseudocrises? Pseudocrises (ou crises psicogênicas) são muito
comuns e podem ocorrer em pessoas com ou sem epilepsia. Os
ataques são desencadeados, consciente ou inconscientemente, para
obter maiores cuidados e atenção. As crises começam com
respiração ofegante e são desencadeadas por estresse mental,
ansiedade ou dor. Com a respiração acelerada ocorrem
modificações na química sanguínea (alcalose) e isso pode
causar sintomas muito parecidos com as crises epilépticas:
formigamentos na face, mãos e pés, enrijecimentos, tremores,
etc. O tratamento apropriado para pseudocrises é acalmar a
pessoa e fazê-la respirar num ritmo normal. O tratamento pode
envolver também investigação de fatores mentais e emocionais.
Como distinguir crises epilépticas de pseudocrises? Elas se distinguem por sua
natureza e por seus sintomas, mas o diagnóstico pode ser
difícil. As crises epilépticas são causadas por uma
alteração da comunicação elétrica entre as células
cerebrais, enquanto que as pseudocrises são desencadeadas por
desejo consciente ou inconsciente de mais cuidado e atenção.
Assim, a medida da atividade cerebral com o eletrencefalograma
(EEG) e o registro simultâneo da crise através de vídeo são
importantes para distinguir entre crises e pseudocrises. Além
disso, as pseudocrises frequentemente não provocam a exaustão,
a confusão e a náusea que estão associadas às crises
epilépticas. Crises psicogênicas podem ocorrer em pessoas que
têm crises epilépticas.
Podem ocorrer crises em pessoas não epilépticas? Epilepsia é uma condição
crônica de crises recorrentes não provocadas. Crises isoladas e
crises provocadas (por álcool ou drogas por exemplo) não são
epilepsia, embora os eventos sejam crises reais. Existem muitos
tipos de crises não epilépticas. Crises não epilépticas
diferem de crises epilépticas no fato de que usualmente não há
evidência de atividade elétrica anormal no cérebro após as
crises e elas não ocorrem repetidamente. Algumas das causas mais
comuns de crises não epilépticas são: hipoglicemia, síncope,
cardiopatia, ictus cerebral, enxaqueca, defeitos vasculares,
narcolepsia, estresse ou ansiedade extremos.
Com o que as crises parecem? As crises variam dependendo do tipo de epilepsia
que a pessoa tem. Algumas crises são muito evidentes, enquanto
outras podem passar completamente desapercebidas. Com os tipos
mais comuns de crises existe alguma perda de consciência, mas
algumas crises podem envolver apenas pequenos movimentos do corpo
ou sensações estranhas.
O que a pessoa sente ao ter uma crise? Epilepsia é uma classificação geral
para uma grande variedade de crises. Assim, diferentes
epilsepsias têm crises bastante diferentes. Sensações comuns
associadas com crises incluem insegurança, medo, exaustão
física e mental, confusão, perda da memória. Alguns tipos de
crises podem produzir fenômenos auditivos ou visuais enquanto
outros podem envolver uma sensação de vazio. Se a pessoa fica
inconsciente durante a crise pode não haver sensação alguma.
Muitas pessoas experimentam uma aura antes da crise propriamente
dita.
Quanto tempo duram as crises? Dependendo do tipo de crise podem durar de
poucos segundos a alguns minutos. Em casos raros podem durar
algumas horas. Exemplificando, uma crise tônico-clônica típica
dura de 1 a 7 minutos; crises de ausência podem durar apenas
poucos segundos e crises parciais complexas duram de 30 segundos
até 2-3 minutos. Estado de mal epiléptico refere-se a crises
prolongadas que podem durar algumas horas e isto é uma
condição médica séria. Contudo, na maioria das epilepsias as
crises são muito curtas e apenas pequenos cuidados primários
são necessários.
Existe algo como um caso menor de epilepsia? Existem mais de 30 tipos de crises,
algumas mais severas do que outras. Convulsões tônico-clônicas
longas, por exemplo, podem produzir mais efeitos físicos e
mentais do que crises parciais. Algumas pessoas têm crises muito
frequentes (até com intervalos de horas), enquanto outras podem
ficar meses ou anos sem crise. Além disso, algumas crises são
facilmente controladas pelo tratamento farmacológico, enquanto
outras mostram-se resistentes à medicação.
- CAUSAS E FATORES DESENCADEANTES -
Qual a causa da epilepsia? Não existe uma causa única para a
epilepsia. Muitos fatores podem lesar as células nervosas no
cérebro ou suas vias de comunicação. Em aproximadamemnte 65%
de todos casos não existe causa conhecida. As causas mais
frequentemente identificadas são: traumatismo de crânio,
traumatismo de parto, febre alta, manipulação excessiva da
criança, certas substâncias tóxicas em doses altas, isquemia
cerebral por ictus, tumores, problemas cardiovasculares, doenças
do sangue ou doenças que lesam diretamente as células nervosas
do cérebro. Quando os médicos podem identificar a causa a
condição é denominada epilepsia sintomática. Quando a
desordem subjacente não pode ser identificada fala-se em
epilepsia idiopática.
A epilepsia é hereditária? Na maioria dos casos a epilepsia não é
hereditária. Em alguns casos uma tendência para a epilepsia
pode ser hereditária mas ela não é suficiente para provocar as
crises; para isso é necessário que outras condições
desfavoráveis existam no cérebro. É pouco provável que
crianças herdem a epilepsia.
A epilepsia é contagiosa? A epilepsia não é contagiosa de modo algum.
Ninguém pode adquirir a desordem por falar, beijar ou tocar
alguém com epilepsia. Ela só pode ser transmitida
geneticamente. Epilepsia que acomete famílias sugerem desordem
etiológica subjacente metabólica ou genética e esta é a causa
menos frequente de todas.
A epilepsia é causada por vírus? A epilepsia pode resultar de uma infecção
ou doença. Algumas condições reconhecidamente capazes de
resultar em epilepsia são meningite, encefalite viral, caxumba,
sarampo, difteria, abscessos.
O que pode desencadear crises? Em alguns casos as crises epilépticas podem
ser desencadeadas por coisas que acontecem no meio ambiente.
Crises podem ser desencadeadas por luzes piscando ou por mudança
súbita do escuro para o claro (ou vice-versa). Outras pessoas
podem reagir a sons baixos, sons monótonos ou mesmo notas
musicais. É importante para a pessoa epiléptica identificar
fatores desencadeantes a ela relacionados, se existirem.
Crises podem ser desencadeadas por luzes piscando? Epilepsia fotossensitiva é o
nome dado à forma de epilepsia na qual as crises são
desencadeadas por luzes piscando. Embora sejam mais frequentes em
meninas entre 6 e 12 anos podem ocorrer em qualquer idade e sexo.
Podem certos alimentos ou bebidas causarem crises? Pessoas com epilepsia devem
fazer refeições regulares a intervalos regulares e prestar
atenção no que comem e bebem. Drogas médicas ou não médicas
bem como aditivos alimentares podem interagir com as drogas
anticonvulsivas. Álcool pode baixar o limiar convulsivo.
Falta de sono pode causar crises? Privação excessiva de sono pode baixar o
limiar convulsivo e facilitar as crises. Falta de sono é fator
precipitante bem conhecido como facilitador de crises. Outros
fatores que podem baixar o limiar convulsivo são febre alta,
estados de grande excitação e alterações na química
corporal.
Hipoglicemia pode desencadear crises? Hipoglicemia pode induzir crise tipo
epiléptica. Esta condição pode ser causada por dieta ou por
drogas como a insulina. Isto não é realmente epilepsia já que
não são crises recorrentes e não são devidas a atividade
elétrica cerebral anormal. Na hipoglicemia as crises são
diretamente causadas por baixos níveis de açúcar no sangue.
Aspartame pode desencadear crises? Em 1984 foram publicados três trabalhos nos
quais o aspartame baixava o limiar convulsivo, aumentando a
atividade crítica. O Centro de Controle de Doenças de Atlanta
revisou a matéria e não encontrou esse efeito em doses normais
de aspartame. Mais recentemente o aspartame foi contraindicado
para algumas crianças com ausências. Um estudo da Universidade
de Queen encontrou um aumento de 40% na atividade elétrica
anormal mas sem aumento do número de crises. Pesquisas neste
campo continuam sendo feitas.
O álcool afeta as crises? O álcool pode aumentar e depois baixar o limiar
convulsivo, o que aumenta a tendência para ter crises. Mais
importante é a interação entre o álcool e as drogas
anticonvulsivas. Além disso, algumas drogas de abuso,
especialmente cocaína e anfetaminas, podem provocar crises.
Alguns medicamentos, quando tomados em doses altas, podem também
provocar crises.
- PRIMEIROS SOCORROS NAS CRISES -
Como eu posso ajudar alguém que está em crise? A conduta
apropriada para ajudar alguém durante uma crise depende do tipo
de crise. Enquanto uma pessoa com crise tônico-clônica pode
precisar de alguma ajuda, na maioria dos casos pouco deve serve
feito.
A crise tônico-clônica (grande mal) é frequentemente a mais
dramática e atemorizante, mas é importante ter em mente que a
pessoa em crise está inconsciente e não sente dor. A crise
usualmente dura poucos minutos e não há necessidade de cuidado
médico. Os seguintes procedimentos simples podem ser usados:
1) Fique calmo. Você não pode parar uma crise, deixe que ela
siga seu curso, não tente reanimar a pessoa;
2) Coloque a pessoa no chão e afrouxe sua roupa;
3) Tente remover quaisquer objetos que possam machucar a pessoa.
Pode ser necessário colocar algo macio sob sua cabeça;
4) Vire a pessoa de lado para que a saliva possa sair mais
facilmente da boca;
5) Não ponha nada na boca da pessoa;
6) Após a crise deixe a pessoa descansar ou dormir, se
necessário;
7) Após descansar, a maioria das pessoas recupera-se
completamente. Caso contrário acompanhe-a até sua casa;
8) No caso de uma criança em crise contate um familiar ou
policial;
9) Se a pessoa apresenta uma série de convulsões sem recuperar
a consciência entre elas ou uma convulsão que dure mais de dez
minutos procure imediatamente socorro médico.
Nas crises parciais complexas:
1) Não restrinja a pessoa, proteja-a removendo objetos
perigosos;
2) Se ocorrer perambulação fique com a pessoa e fale
calmamente.
Crises de ausência e crises parciais simples não necessitam
primeiros socorros.
O que fazer se a criança tem crises durante o sono? As crianças são geralmente
acordadas pelas crises que ocorrem enquanto dormem. Assim, os
familiares são alertados quando elas ocorrem. Somente nos raros
casos em que a criança vomita ou experimenta outros problemas
durante a crise existe necessidade de preocupação.
- DIAGNÓSTICO -
Como é diagnosticada a epilepsia? O diagnóstico e avaliação
da epilepsia requerem que o médico saiba tudo sobre as crises -
quando começam, a aparência do paciente antes, durante e depois
das crises, e quaisquer ocorrências não usuais no
comportamento. Um histórico familiar é importante. Em adição,
um eletrencefalograma (EEG) pode ajudar a detectar áreas de
atividade celular aumentada.
Que especialistas podem diagnosticar e tratar a epilepsia? Qualquer médico
licenciado é qualificado para tratar epilepsia. Existem médicos
especializados em desordens neurológicas e que podem ser
encontrados em hospitais e clínicas particulares.
Epileptologistas trabalham em clínicas de epilepsia. Usualmente
os casos são encaminhados para o neurologista ou para o
epileptologista. Algumas pessoas consultam práticos de saúde
alternativa especializados em abordagem holística, acupuntura ou
quiropraxia. Frequentemente o médico da família é o primeiro a
fazer o diagnóstico. Os pediatras são também preparados,
considerando que 2/3 de todas as epilepsias ocorrem antes dos 14
anos. O neurologista é especialmente treinado em desordens do
cérebro e sistema nervoso. Um neurocirurgião, um psiquiatra ou
psicólogo podem também ser convocados, se as circunstâncias
assim exijirem.
Uma pessoa com epilepsia pode ter um EEG falso negativo? O EEG mede a atividade
elétrica da superfície do cérebro. Um EEG pode ser normal se a
atividade elétrica anormal ocorre profundamente no cérebro.
Pode uma pessoa ter um EEG falso positivo para epilepsia? Muitas pessoas não
epilépticas podem ter alguma atividade epileptiforme no EEG.
Contudo, isso não prova que elas tenham uma desordem convulsiva.
Interpretar EEG é uma função que requer grande treinamento e o
diagnóstico de epilepsia é baseado no quadro clínico. Outros
exames, como tomografia computadorizada e ressonância magnética
podem ser úteis.
Meu filho está tendo crises de ausência ou simplesmente sonha acordado? Ao
observador, uma criança em crise de ausência pode parecer como
se estivesse sonhando acordada, ou perdida no espaço. Para saber
a diferença precisam ser feitas observações cuidadosas.
Características comportamentais usuais de uma crise de ausência
incluem: piscar de olhos, movimentos mastigatórios, leves
movimentos rítmicos dos músculos faciais, cabeça ou braços.
Durante a crise a criança pode não responder a estímulos
verbais ou físicos. Imediatamente após a crise a criança
retoma sua atividade normal. Se você observa conduta não usual
em seu filho uma visita ao neurologista pode ser combinada com o
médico assistente da família.
Que condições são por vezes confundidas com a epilepsia? Crises resultantes de
abstinência de álcool, febre ou hipoglicemia podem ser
confundidas com epilepsia. Outras causas possíveis são ictus,
enxaqueca, isquemias cerebrais, narcolepsia e crises
psicogênicas.
Crises podem passar desapercebidas? Os sintomas críticos nem sempre são
observáveis ou notificáveis. A crise pode resultar em rigidez
do corpo, convulsão, movimentos mastigatórios, condutas não
usuais ou perda da consciência. Alguns sintomas são menos
aparentes, tais como desorientação ou sensações não usuais.
Sintomas leves não significam que as crises tenham menor
importância.
- TRATAMENTOS -
Existe cura para a epilepsia? Não existe cura conhecida para a
epilepsia. Medicamentos podem frequentemente controlar as crises
mas isso não é uma cura. Algumas formas de epilepsia ocorrem na
infância, dizendo-se então que as pessoas superaram as crises
pelo crescimento. Em alguns casos existe remissão espontânea da
desordem. Por vezes uma cirurgia para remover a parte do cérebro
onde as crises se originam pode produzir parada completa e
permanente das crises.
A epilepsia é fatal? A epilepsia em si pode provocar a morte quando crises
prolongadas (estado de mal) não são adequadamente tratadas.
Tais mortes são muito raras. Mais comuns são mortes causadas
por acidentes que ocorrem quando alguém tem uma crise em
situação potencialmente perigosa.
Que tipos de tratamento estão disponíveis? Quando um médico diagnostica
epilepsia um tratamento específico deve ser recomendado. O
tratamento é destinado a controlar as crises e a ajudar o
paciente a ter uma vida normal, participando de todas as
atividades, inclusive esportes. As duas maiores modalidades de
tratamento são a farmacoterapia e a cirurgia.
Existem tratamentos com remédios para a epilepsia? O tratamento da
epilepsia é primordialmente através de drogas anticonvulsivas
específicas. Existem diferentes tipos destas drogas e o tipo
prescrito depende das necessidades particulares de cada
indivíduo. As drogas são prescritas isoladamente ou em
combinações. As várias drogas - ou suas combinações-
controlam diferentes tipos de crises.
Como as drogas funcionam para controlar as crises? As drogas usadas para
controlar crises são chamadas drogas antiepilépticas (DAE).
Ainda não é bem compreendido como elas param as crises, mudam o
limiar convulsivo ou previnem descargas elétricas anormais. A
base neuroquímica de sua ação é desconhecida. Pesquisas
mostram que alguas drogas podem bloquear a propagação de
impulsos nervosos rápidos no cérebro enquanto que outras
aumentam o fluxo de íons de cloro, o que estabiliza as células
nervosas.
Que drogas são utilizadas na epilepsia? Existem diferentes drogas para tratar
epilepsia. Algumas das mais comuns são: carbamazepina,
fenitoina, primidona, valproato, clobazam, clonazepam,
nitrazepam, fenobarbital, etosuximida, gabapentin, lamotrigina,
vigabatrina. Existem ainda novas drogas em desenvolvimento. A
escolha da droga é determinada pelo tipo de crise, pelos efeitos
colaterais, pela idade e saúde geral da pessoa. Por vezes
várias drogas - ou suas combinações - precisam ser tentadas
para que se consiga o controle das crises.
Quão eficazes são os tratamentos com drogas? A maioria das crises epilépticas
são controladas pelas drogas anticonvulsivas prescritas pelo
médico. Cerca de 50% dos casos que tomam regularmente seus
medicamentos tem suas crises eliminadas. Cerca de 30% tem
redução na intensidade e frequência das crises a ponto de
possibilitar uma vida normal. Os 20% restantes são resistentes
à medicação ou requerem doses tão altas da medicação que é
preferível ficar com um controle parcial.
Estas drogas têm efeitos colaterais? Muitas drogas anticonvulsivas têm efeitos
colaterais. Podem variar de leves a severos e diferem dependendo
da droga e da dosagem. Alguns dos efeitos colaterais mais comuns
das drogas antiepilépticas são: sonolência, tontura, náusea,
irritabilidade e hiperatividade.
O que é nível sanguíneo? Nível sanguíneo refere-se à quantidade de
anticonvulsivo existente no sangue. É medido por simples teste
laboratorial e é usado para determinar se os sintomas do
paciente se devem a efeitos colaterais ou efeitos tóxicos do
medicamento. É também usado para determinar se o paciente toma
quantidade suficiente para controle das crises.
Quais são os sintomas de níveis sanguíneos muito altos? Níveis altos podem
provocar sonolência, confusão, instabilidade e náuseas. Isto
requer redução da dosagem ou troca de medicação.
Qual o custo das drogas? O custo das drogas anticonvulsivas depende das dosagens
necessárias, da droga usada e da quantidade contida em cada
prescrição. Geralmente existe diferença de preço entre nomes
comerciais e drogas genéricas equivalentes.
Toda pessoa com epilepsia precisa tomar remédio? O tratamento da epilepsia é
primordialmente medicamentoso. Existem várias drogas e o tipo
prescrito depende do tipo de crise. Se alguém está livre de
crises há anos o médico pode decidir retirar gradualmente a
medicação.
Quando é usada a cirurgia para tratar a epilepsia? A cirurgia é usada somente
quando a medicação falha, e mesmo assim numa pequena
percentagem destes casos - aqueles nos quais o tecido cerebral
lesado está confinado a uma área restrita do cérebro e que
pode ser removida sem risco de danos à personalidade ou
funções cerebrais.
Qual a probabilidade de meu filho transpor pelo crescimento uma desordem
convulsiva? Isto é difícil de responder. Algumas crianças
sobrepassam a epilepsia pelo crescimento mas algumas continuam
tendo crises, ou são intensificadas até. Algumas pessoas
experimentam o mesmo tipo de crise por toda sua vida. Algumas
epilepsias são conhecidas por quase sempre remitirem (epilepsia
rolândica benigna, por exemplo), outras por geralmente remitirem
( ausências da criança, por exemplo) e algumas por quase nunca
remitirem ( epilepsia mioclônica juvenil, por exemplo). A
comunidade médica não pode predizer quem continuará e quem
não continuará a ter crises, mas eles sentem que quanto mais
cedo iniciar o tratamento mais facil será o controle.
Abordagens não tradicionais auxiliam? Algumas pessoas com epilepsia têm tentado
diferentes abordagens para melhorar o controle de suas crises. Em
alguns casos a pessoa sente que teve alguma melhora. Contudo,
estudos científicos não têm sido dedicados à esta área.
Técnicas que reconhecidamente reduzem o estresse ou que melhoram
a saúde geral podem ajudar algumas pessoas. Outras técnicas
tentadas são o biofeedback, dietas, acupuntura e meditação.
A meditação transcedental tem algum efeito sobre a epilepsia? A comunidade
médica não determinou se coisas deste tipo têm efeito real
sobre a epilepsia. Tem sido demonstrado que entre pessoas que
sabem o que está acontecendo em um determinado momento, algumas
podem influenciar nos processos automáticos do corpo. Com
biofeedback algumas pessoas podem moderar e possivelmente mudar
certas funções involuntárias tais como o ritmo de suas ondas
cerebrais, a pressão sanguínea, a frequência cardíaca, etc. O
significado disto em relação à epilepsia é desconhecido.
O biofeedback ajuda? Biofeedback é o processo de voluntariamente moderar,
limitar ou mudar certas funções fisiológicas tidas como
involuntárias. Na epilepsia a pessoa pode, através de
treinamento extensivo, controlar certas funções fisiológicas
relacionadas com crises. Treinamento em biofeedback pode também
reduzir o estresse, o que pode reduzir crises relacionadas com
estresse. Abordagens não médicas podem melhorar o controle das
crises em algumas pessoas mas não devem ser tentadas sem o
conhecimento do médico que prescreve seus anticonvulsivos. Sob
nenhuma circunstância os anticonvulsivos podem ser retirados
bruscamente, o que poderia precipitar crises prolongadas com
risco de vida.
Existe dieta especial para epilépticos? Bons hábitos nutricionais e estilo
saudável de vida ajudam na manutenção de nível ótimo de
controle de crises. Mudanças drásticas de peso requerem
revisão médica. Em virtude de alguns anticonvulsivos poderem
causar deficiências nutritivas em algumas pessoas, uma dieta
diária bem balenceada previnirá tal fato.
O que é dieta cetogênica? Dieta cetogênica é uma dieta rica em lipídios e
óleos e com baixos teores de proteínas e carboidratos. Esta
ingesta não usual cria uma condição corporal chamada cetose,
que faz subir o limiar convulsivo para algumas pessoas. A dieta
cetogênica é mais efetiva em crianças. Requer preparo
cuidadoso e aderência total. Embora de difícil implementação
muitas crianças conseguem melhor controle das crises com esta
dieta do que com medicação. Algumas conseguem reduzir ou
eliminar os medicamentos. Cuidados e supervisão médica são
necessários para essa terapia.
- VIVENDO COM EPILEPSIA -
Pessoas com epilepsia podem ter vida normal? A experiência tem
demonstrado que pessoas com epilepsia têm menos crises se levam
vida ativa normal. Isto significa que precisam ser encorajadas
para que encontrem emprego - em tempo integral ou parcial.
Pessoas com quaisquer disabilidades estão protegidas pelo
Código de Direitos Humanos do Canadá. Contudo, algumas
funções, pela natureza do equipamento ou pela maquinaria, podem
ser não recomendados para uma pessoa com epilepsia. É portanto
muito importante para um adulto jovem trabalhar sob orientação,
para estabelecer metas apropriadas.
O que as pessoas com epilepsia podem fazer para melhorar sua saúde? Como em
qualquer condição médica a epilepsia é influenciada pelas
condições gerais de saúde da pessoa. Assim, tudo que melhorar
o estado geral da pessoa terá efeitos positivos sobre a
epilepsia. Isto inclui alimentação, exercícios, repouso,
redução do estresse, evitar depressão, afastar-se do álcool e
de drogas ilícitas.
Como prevenir-se contra as crises? Uma pessoa com epilepsia pode ajudar no
controle de suas crises tomando regularmente o medicamento
prescrito, mantendo boa higiene de sono, evitando grandes
estresses e trabalhando em parceria com seu médico. Avaliações
médicas regulares e visitas de acompanhamento são também
importantes. Contudo, crises podem acontecer mesmo quando alguém
está fazendo tudo o que deveria fazer.
Quem pode saber que tenho epilepsia? Abertura e honestidade sobre a epilepsia
são importantes. O professor da criança deve ser informado
sobre o tipo de crise, com o que se parece, sua frequência e
qualquer necessidade de primeiros socorros. Existem vantagens e
desvantagens em contar para um empregador. O que você contar
pode depender do quanto você se sente confortável quando aborda
o assunto, os tipos de crise envolvidas e o tipo de emprego. O
empregador pode perguntar se você tem algum problema médico que
o incapacite para a função pretendida mas ele não pode
perguntar diretamente sobre medicamentos.
Existe preconceito contra pessoas com epilepsia? Mesmo que muito se
tenha progredido no sentido de reduzir o preconceito social
contra a epilepsia, discriminação ou rejeição podem ser
problemas para pessoas com epilepsia. Além disso, familiares e
amigos podem se mostrar superprotetores ou impor restrições
desnecessárias. Enfim, pessoas com crises podem perder a
confiança ou se sentirem cidadãos de segunda classe.
Existe algum problema em ter filhos? Mulheres que usam drogas anticonvulsivas
precisam ser cuidadosas quando resolvem engravidar. Foram
relatados casos de malformações congênitas entre estas
mulheres. Enquanto a taxa normal de malformações congênitas é
de 2-3%, entre mulheres com epilepsia que não estejam tomando
medicação a taxa sobe em 0,5 pontos. Mulheres tomando apenas um
tipo de remédio têm taxa de 6-7%, com algumas diferenças
dependendo do tipo de droga. Combinações de drogas aumentam
drasticamente o risco. Isto cria um problema, porque a droga cria
um risco para a criança, mas a necessidade de um anticonvulsivo
permanece durante a gravidez. As crises podem até ser mais
frequentes durante a gravidez e prejudicarem mãe e filho. O
médico deve decidir trocar ou reduzir a medicação quando a
paciente deseja engravidar. Em alguns casos, entretanto, o
médico pode recomendar que o risco de gravidez é muito grande
para mãe e filho, desaconselhando-a. Quaisquer alterações na
medicação devem ser consideradas cuidadosamente e a mulher não
pode fazer isso por sua conta. Existem cuidados especiais no
pré-natal da mulher epiléptica e isto requer atenção
especial. Finalmente, alguns remédios podem provocar falha de
pílulas anticoncepcionais.
A medicação anticonvulsiva pode prejudicar o recém-nascido? Converse sempre
com seu médico sobre uso de anticonvulsivos e amamentação.
Embora medicações anticonvulsivas tenham sido encontradas no
leite materno de mulheres epilépticas a quantidade é muito
pequena para prejudicar a criança.
Pessoas com epilepsia podem dirigir automóvel? Em Ontário a situação é
de que ninguém com história de epilepsia pode dirigir veículo
automotor, a menos que um atestado médico assegure que a pessoa
esteja livre de crises pelo período mínimo de um ano. Cada caso
é revisado por uma junta médica de aconselhamento. A situação
pode ser diferente na localidade onde você mora. Pergunte ao seu
médico sobre isso, ou contate um centro de exame para
motoristas.
Pessoas com epilepsia podem nadar? É prudente que uma pessoa com epilepsia
converse com seu médico antes de decidir começar a nadar.
Quando uma pessoa com epilepsia vai nadar ela não pode ir
sozinha (regra de segurança na água que vale para todos). É
também recomendado que a natação seja realizada em piscina
supervisionada e não em praias, lagos ou rios.
Pode a epilepsia trazer problemas na escola? Desordens críticas de longa
duração podem estar associadas com dano cerebral induzido pelas
crises e consequentes problemas de memória. Crianças com
epilepsia podem também presentar problemas de aprendizagem ou de
concentração pela desordem neurológica subjacente ou pela
medicação. Se uma criança com epilepsia está com problemas na
escola, tanto academicamente como socialmente, a professora deve
ser solicitada a ajudar. Se o seu filho está com problemas
acadêmicos peça para conversar com o Consultor de Educação
Especial para a área. Em acordo com a professora da criança um
programa modificado pode ser arranjado, se necessário. Crianças
com epilepsia devem ser incentivadas a participar de todas
atividades regulares da escola, inclusive esportes.
A epilepsia pode causar problemas emocionais? Pessoas com epilepsia podem
desenvolver depressão por razões biológicas e sociais. Algumas
desordens críticas de longa duração e pobremente controladas
pela medicação podem associar-se com mudanças crônicas de
personalidade. Alguns pacientes com crises do lobo temporal podem
apresentar, após as crises, episódios de curta duração de
descontrole emocional ou dificuldade de pensamento. Embora a
epilepsia seja um problema médico, a pessoa com epilepsia
precisa também fazer alguns ajustes emocionais. O primeiro passo
é a aceitação do diagnóstico. Inicialmente, pessoas com
epilepsia e seus familiares podem ficar chocados ou negarem o
fato. Raiva, medo e depressão são também comuns. Contudo, com
informação e suporte pessoas com epilepsia podem compreender a
condição e desenvolver estratégias positivas.
A epilepsia pode levar a problemas de auto-estima? É importante lembrar que
pessoas com epilepsia podem viver plena e produtivamente. Quando
a auto-estima torna-se um problema uma discussão aberta com
amigos, com a família ou com um profissional pode ajudar no
desenvolvimento de novos caminhos para continuar competindo e uma
nova esperança.
- EPILEPSIA E TRABALHO -
Que ocupações não são apropriadas para pessoas com epilepsia?
Desde que treinadas ou educadas apropriadamente, a maior parte
das pessoas com epilepsia é capaz de realizar qualquer trabalho.
Algumas exceções a esta regra são: ocupações em linhas
aéreas militares ou comerciais e bombeiro. Considerações devem
ser feitas quanto ao tipo de crise e sobre o quanto estão sob
controle com a medicação.
Pessoas com epilepsia podem pilotar um avião? Pessoas com epilepsia não
podem estar aptas para pilotar. Existem regras rígidas para quem
deseja licença para pilotar. Cada pessoa é atendida
individualmente e precisa submeter-se ao regime de exigências do
Centro Médico de Aviação Civil.
v
Existe algum problema com segurança no trabalho? Os empregadores costumam
acreditar que a segurança no trabalho pode estar comprometida
numa situação de injúria causada pela crise no local de
trabalho. Um estudo revelou que a taxa de acidentes entre
trabalhadores com epilepsia é menor do que entre trabalhadores
sem disabilidades. Responsabilidade não é um fator relevante
desde que o empregador coloque o empregado em função apropriada
e providencie acomodação racional se necessária.
- EPILEPSIA E OUTRAS DESORDENS -
A epilepsia está relacionada com outros problemas neurológicos?
A epilepsia não está necessariamente associada com outros
problemas neurológicos ou com dificuldades no aprendizado.
Ocasionalmente a fonte das crises pode se refletir em outras
deficiências neurológicas. A medicação anticonvulsiva pode
causar sedação e assim rebaixar a capacidade de aprendizado.
Pessoas com epilepsia têm o mesmo nível de inteligência do que
a população geral.
A epilepsia está relacionada com doença mental? A epilepsia não está
relacionada com doença mental. Por causa do envolvimento do
cérebro a epilepsia tem sido erroneamente associada com
desordens psiquiátricas. A epilepsia difere das desordens
psiquiátricas no fato de que as crises duram pouco tempo e
começam e terminam abruptamente. Além disso, no período entre
as crises as pessoas com epilepsia não têm alterações em seu
humor ou conduta.
A epilepsia pode afetar a inteligência? Crises podem afetar a inteligência, por
isso são importantes diagnóstico imediato e rápido controle
das crises. Existe o risco, caso as crises sejam prolongadas, de
redução significativa do oxigênio no cérebro durante as
mesmas. Entretanto, estas são ocorrências extremamente raras.
No caso de pessoas epilépticas e com atraso no desenvolvimento
é mais provável que este seja consequência direta da mesma
lesão causadora da epilepsia. Na maioria dos casos, pessoas com
epilepsia têm inteligência normal.
Existe alguma ligação entre perda de memória e epilepsia? Algumas pessoas
com epilepsia experimentam dificuldade em relembrar fatos remotos
e recentes. Frequentemente isto é causado pela medicação usada
para tratar a epilepsia, ou por atividade crítica regular.
Pessoas assim afetadas podem aprender a compensar a perda usando
listas e lembretes, e criando um ambiente organizado.
A epilepsia tem relação com a asma? A asma ocorre em crianças com epilepsia
com a mesma frequência que na população geral. A teofilina
pode desencadear crises.
Existe alguma doença para a qual pessoas com epilepsia são mais suscetíveis?
Pessoas com epilepsia que estão em tratamento podem experimentar
efeitos colaterais que as tornam mais suscetíveis para outras
doenças ou desordens. Condições comuns são hipertricose e
hipertrofia da gengiva, causadas pela fenitoina. Outros problemas
comuns são disfunção hepática e depressão.
- MISCELÂNEA -
Animais têm epilepsia? A epilepsia pode ocorrer em animais. Como
em humanos, a epilepsia em animais traduz uma atividade elétrica
anormal no cérebro.
Cachorros podem pressentir crises em humanos antes delas ocorrerem? É possível
que alguns cachorros sejam capazes de detectar alterações
pré-críticas na fisiologia de algumas pessoas com epilepsia. Em
alguns casos a pessoa com epilepsia é advertida por uma aura
antes da crise principal. Pouco é conhecido sobre como cachorros
podem detectar crises antes do seu início. Contudo, existem
hipóteses sobre a capacidade de cachorros detectarem mudanças
químicas provocadas pelo medo, e algumas crises são precedidas
por sensação de medo.
Principais fontes consultadas para elaboração
desta matéria:
FAQ mantida por Andrew Patrick -
http://www.debra.dgbt.doc.ca/~andrew/epilepsy/
FAQ da Epilepsy Foundation of America - http://www.efa.org/