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PRECAUÇÕES COM MEDICAMENTOS

A decisão de iniciar ou de continuar com o uso de um medicamento requer alguma reflexão compartilhada. Quando o médico prescreve um tratamento medicamentoso é prudente que todo potencial de benefícios seja cotejado com todo risco de efeitos indesejados possíveis. A equação risco x benefício precisa ser muito favorável ao paciente para que um medicamento seja prescrito e o paciente se arrisque a aceitá-lo.

Veja que tanto os benefícios (efeitos positivos) quanto as reações indesejadas (efeitos negativos) são possibilidades.

Reações adversas (efeitos negativos) a medicamentos são comuns na prática médica pois 5 a 10% dos pacientes irão desenvolvê-la.

As reações adversas podem ser:

Tipo A – São previsíveis e comuns, podendo ocorrer em qualquer indivíduo. Estão relacionadas com a atividade farmacológica do produto. Aproximadamente 80% das reações adversas a medicamentos são deste tipo. Compreendem:

Overdose
Efeito colateral
Efeito secundário
Interação medicamentosa

Tipo B - São imprevisíveis, incomuns e dependentes de características dos indivíduos. Entre 6 a 10% das reações adversas a medicamento são deste tipo. Apesar de mais raras, as reações do tipo B constituem a maior parte das notificações espontâneas recebidas pelos sistemas de farmacovigilância nos EUA, dado seu caráter peculiar e imprevisível, bem como da sua gravidade. Compreendem:

Intolerância
Idiossincrasia
Reação alérgica (quando há participação de anticorpos circulantes específicos e/ou linfócitos específicos sensibilizados.
Reação pseudo-alérgica (reações pseudo-alérgicas ocorrem quando há manifestações semelhantes às de uma reação alérgica, mas com a ausência da especificidade imunológica.

Tipo C – São aquelas relacionadas com o aumento estatístico da ocorrência de uma doença em pacientes expostos a um medicamento frente à sua frequência basal em não expostos.

As reações alérgicas (tipo B) são as mais preocupantes. Podem ser:

Do tipo I: anafilaxia, urticária, angioedema, alguns exantemas
Do tipo II: citopenias, algumas vasculites
Do tipo III: doença do soro, vasculites
Do tipo IV: sensibilidade por contato, exantemas, inflamação em órgãos

De acordo com o mecanismo imunológico envolvido, o tempo de exteriorização das reações alérgicas é variável, permitindo classificá-las em:

a) imediatas - ocorrem nos primeiros 30 minutos a 2 horas após a administração do fármaco
b) aceleradas - ocorrem entre 2 e 48 horas (urticária, broncoespasmo, febre, nefropatia)
c) reações tardias - após 48 horas da ingestão do fármaco (erupções cutâneas, febre, doença do soro, anemia hemolítica, trombocitopenia, nefropatia)

Infecções virais podem representar um fator de risco para o desenvolvimento de reações alérgicas.
Componentes genéticos, idade do paciente, história de reações anteriores ou mesmo de reações cruzadas, potência e imunogenicidade do fármaco são fatores de risco importantes para o aparecimento das reações alérgicas.
Os antimicrobianos, principalmente os ß-lactâmicos, particularmente as penicilinas, e os fármacos antiepilépticos foram responsáveis por 7% das reações alérgicas em estudo científico. A maioria das reações ocorreu tardiamente, com manifestações cutâneas, mas também houve envolvimento de outros tecidos e órgãos, como o fígado e células do sangue.

Por sua gravidade potencial algumas reações foram agrupadas no conceito de reações cutâneas graves adversas a droga (RCGAD). Podemos definir RCGAD como aquelas reações que geralmente necessitam de internação hospitalar, por vezes em unidade de terapia intensiva ou de queimados, com observação minuciosa dos sinais vitais e da função de órgãos internos. Fazem parte desse grupo a anafilaxia, a síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), a necrólise epidérmica tóxica ou síndrome de Lyell (NET), a síndrome de hipersensibilidade a drogas com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS) e, dependendo do envolvimento sistêmico, as eritrodermias, a pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA), a necrose cutânea induzida por anticoagulante, as vasculites induzidas por droga e as reações tipo doença do soro.

A rápida diferenciação entre RCGAD e uma erupção menos grave pode ser difícil, porém é essencial, sendo a retirada da droga suspeita a intervenção mais importante para reduzir a morbidade.
Três marcadores clínicos de gravidade devem ser considerados frente a uma reação deste tipo: febre, linfoadenopatia e acometimento cutâneo extenso.

A grande promessa da chamada medicina de precisão, alavancada pelos avanços na genômica, é a de aumentar nossos conhecimentos sobre a imunoquimica do metabolismo dos fármacos e a imunorreatividade de seus metabólitos, possibilitando assim ganho considerável na habilidade de usarmos procedimentos diagnósticos para lidarmos com estas situações, inclusive no nível preventivo.